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Em Entrevista, o Presidente Moises Faz Balanço Sobre Seu Período à Frente da FCJ

thumb noticias 27/03/2025

Encerrando sua última gestão, nos quatro anos que marcaram a história da FCJ, recebemos o presidente Moises Gonzaga Penso para uma entrevista em que ele pode expor sua visão sobre o período à frente da Entidade, sua visão sobre o momento do Judô Catarinense e suas perspectivas para o futuro da Instituição.

JudôSC Com: Presidente, qual é o sentimento de deixar o comando da Federação depois destes anos?
Moises: O sentimento é o de dever cumprido. Foram dezesseis anos de dedicação, os oito primeiros como vice, do Cocada e depois do Silvio, e os últimos oito como Presidente. Passamos por um período, entre o início de 2020 e o meio de 2021 em que estivemos expostos a uma situação ímpar. O mundo parou por conta da Pandemia e nós que dependemos, basicamente, de promover o encontro de pessoas ficamos completamente sem condições de agir. O nosso esporte, veja bem, é um esporte de contato físico. E isto era justamente o que não podia acontecer. Mas a vida não estancou. As pessoas precisavam, de alguma maneira, adequar suas atividades, os atletas tinham que manter a forma e a Federação tinha que continuar ativa, afinal, as contas continuavam a chegar, os compromissos tinham que ser honrados e nós precisávamos dar um norte à modalidade e às atividades. Superamos, evoluímos e acredito que tenhamos feito um grande trabalho.

JudôSC Com: Como foi superar aquilo tudo?
Moises: Pessoalmente, em outubro de 2020, eu passei por um dos piores momentos da minha vida. Eu perdi meu pai. O Sensei Camilo era uma referência para o Judô, mas, muito além disso, era a minha referência pessoal. Paralelo a este drama eu tinha que manter as coisas andando. Foi difícil e, sobretudo, foi caro. Tivemos que abrir mão de parte do patrimônio da Instituição e alienar um dos carros da Federação para honrar o pagamento das contas, em especial dos encargos funcionais.

JudôSC Com: A Federação não tinha estrutura patrimonial e financeira para superar este percalço?
Moises: Como vice-presidente eu sempre tive uma noção de como as coisas funcionavam e da situação da Federação. Mas isto era superficial. Quando eu assumi, e eu considero que este tenha sido o meu primeiro desafio, eu não recebi um relatório qualquer. Ninguém fez uma entrega oficial de nada. Eu cheguei para assumir e tive que ir me inteirando do quadro real. O que ajudou, no início, foi que haviam alguns clubes bem estruturados que foram fundamentais, especialmente para realizarmos os primeiros eventos. Trabalhamos muito e estávamos alinhando tudo, quando a pandemia chegou e nos fez começar do zero.

JudôSC Com: E como evoluiu a partir daí?
Moises: Em março de 2021 comecei o segundo mandato, já com a meta de retomar os eventos e voltar à normalidade. Eu tinha em mente que era preciso um reposicionamento da Instituição. Iniciamos um programa para reorganizar a Federação, renovar a nossa base de dados e recadastrar as entidades afiliadas. Foi um processo com pouca adesão. A princípio fiquei desapontado, mas, depois de uma análise criteriosa, percebi que a maioria dos clubes carecia de organização interna. Ficava difícil cobrar informação e organização de quem não as tinha sequer para seu próprio registro. Partimos, então para um programa que se propunha a apoiar a organização dos clubes. Isto também deu pouco resultado, por razões que não vou comentar, em respeito ao direito que cada um tem de gerir seu próprio negócio.

JudôSC Com: Este quadro lhe traz alguma frustração, como presidente?
Moises: Sim, e não. Em termos de organização, propusemos o melhor para os clubes e para a Federação. Se isto não foi bem aproveitado, tenho a consciência de ter oferecido, da melhor forma, um processo para que a organização estivesse implantada em todos os níveis. Afinal, eu não canso de afirmar que a Federação só existe em função dos clubes. Entidades bem estruturadas é que fazem uma Federação forte.

JudôSC Com: Presidente, o que você considera como mais significativo na sua gestão?
Moises: Vou destacar o período pós-pandemia, que considero muito importante. Tem dois aspectos que me orgulham muito: o primeiro é a valorização da marca do Judô Catarinense. Fizemos um trabalho muito dedicado, que começou com a identidade visual e evoluiu para toda a nossa comunicação. As redes sociais, o site, o nosso mascote, a JudôSCtv, o nosso canal no YouTube, e tudo o que foi implantado e aprimorado. O segundo, inegavelmente, foi o incremento em quantidade e qualidade que demos aos nossos eventos. São treze, só no calendário regular da Federação, mais os da Fesporte, para quem nós damos todo o suporte. O número de inscrições cresce muito a cada ano, e nós tivemos que aprimorar os nossos processos de planejamento, logística, montagem e operação, para conseguir entregar eventos de qualidade. Hoje nós trabalhamos com uma equipe enxuta, ágil e muito, mas muito, eficiente.

JudôSC Com: Mesmo com os avanços que o senhor enumera, sabe que nem todos os dirigentes reconhecem isso e tecem críticas ao modelo da FCJ. O que o senhor pensa disso?
Moises: Com todo respeito a quem discorda, eu preciso dizer que a maioria das pessoas que critica não tem a mínima noção do que é a Federação. A nossa operação é permanente. As demandas são diárias e, por conta, em especial dos que criticam, muitas vezes urgentes. Quem chega num ginásio e vê a competição estruturada não pensa no quanto se trabalhou para organizar tudo. Para cada pessoa que se propõe a ajudar, aparecem dezenas para pedir alguma coisa ou para reclamar de outra. Sei que isso não vai mudar. Mas se as pessoas fizessem uma breve reflexão, teríamos um quadro muito mais harmonioso.

JudôSC Com: Falando brevemente, que balanço o senhor faz da sua gestão?
Moises: Estamos entregando uma Federação muito diferente... eu diria melhor, mas... muito evoluída, em relação à que recebemos. Nossos principais eventos tiveram um incremento de duzentos, em certos casos de quatrocentos por cento no número de inscritos. O último Meeting teve mais de mil e setecentos atletas, a Copa Santa Catarina, quase novecentos. E nós gerenciamos tudo com uma equipe mínima, em que todo mundo trabalha junto. Nossas transmissões ao vivo brindam as famílias dos atletas e chegam a ter quarenta mil acessos no Estado. No último Meeting tivemos cerca de cento e oitenta mil, em toda a Região Cinco. Eu tenho orgulho de ouvir os outros presidentes de federações elogiarem nosso site e as nossas redes sociais. Criamos o Graxa (mascote do JudôSC) e hoje as federações têm mascotes, seguindo o nosso exemplo. Nossa arbitragem propõe inovações e o novo sistema de apoio à arbitragem é o mais atualizado do país. As nossas delegações, nos campeonatos brasileiros, recebem apoio, têm hospedagem custeada e uniformes padronizados, graças aos nossos acordos de patrocínio. Hoje podemos receber recursos de convênios e de projetos porque nos reestabelecemos a regularidade fiscal da Entidade que estava pendente há uma década. Este processo foi burocrático, lento e dependeu de muito empenho, administrativo e jurídico. Tudo isso demanda trabalho constante, e isso não faltou.

JudôSC Com: Que mensagem o Senhor deixa para o próximo gestor?
Moises: Em maio do ano passado nós reunimos a comunidade do Judô Catarinense e fizemos uma festa memorável para comemorar o Cinquentenário da Federação. O Sensei Minami estava lá, O Sensei Kasuo estava lá, todos os representantes significativos do nosso esporte foram prestigiar, assistiram às merecidas homenagens, ao resgate histórico emocionante e brindaram, em harmonia, sob o mesmo teto. O clima era festivo, as animosidades estavam arrefecidas e o espírito do Judô se fez presente, talvez, da melhor forma em cinquenta anos. Isto não pode acontecer por conta de uma data, a cada meio século. A harmonia precisa ser cultivada o tempo todo. O que nós precisamos para a nossa Federação é, mais que tudo, comprometimento. Cada atleta, cada técnico, cada dirigente, todos precisam entender que o esforço não pode ser somente de quem está à frente. Nesses anos todos eu senti o peso da responsabilidade constante e raramente o apoio efetivo de alguém não envolvido diretamente no processo. Talvez, o grande entrave do nosso Judô seja a tendência que muitos têm de pensar no seu, sem se importar com o coletivo. A minha mensagem não é só para o próximo gestor, mas para toda a comunidade: vamos pensar no todo. Vamos nos comprometer com todos. Ninguém foi, ou será campeão apenas pela sua própria força. Existe uma necessidade de unir esforços para que os resultados sejam alcançados. As medalhas serão para alguns, mas o orgulho, que é o que conta no final, será do nosso Judô.

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